quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Pequenos retratos

- Uma tese que vai, devagar, tomando forma (como ficará?).

- Dias de intensa preguiça.

- Dias de surpresas, sustos.

- Um olhar mais condescendente diante do espelho.

- Algumas ideias que reforçam a velha vocação.

- Reviravoltas no campo profissional.

- Desejo de mais reviravoltas no campo profissional.

- Um outubro que promete.

- Um fim de ano para planejar 2011.

- Um 2011 de grandes, enormes definições.

- Elogios inesperados (quem diria?).

- Aceitar o ritmo alheio (ficamos melhores com a tolerância).

- Vontade de inovar em muitos aspectos.

- Vontade de crescer em vários outros.

- Momentos de relaxamento, sem pensar em nada, só em água.

- Criatividade em alta.

- Encontros e desencontros.

- Muuuuuuuuuuita saudade de tanta gente...

- Saudade de quem está longe.

- Saudade de quem está perto.

- Um dezembro de esperança e expectativa.

- E três pedidos:
1 - Serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar
2 - Coragem para mudar as que eu posso
3 - Sabedoria para distinguir entre elas

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Chegará o momento



Há algo amadurecendo aqui dentro e chegará o momento de colocar as ideias em prática, de arriscar, de sentir um pouco de vento no rosto.


Há algo buzinando em meu ouvido e chegará o momento de não mais fazer que não ouço e de responder na mesma estridência.


Há algo me embrulhando o estômago e chegará o momento de não engolir tudo a seco, de fechar a goela para sapos, de escolher melhor o cardápio.


Há algo importunando meu sono e chegará o momento de sair da dormência, de despertar para uma outra realidade, de acordar.


Há algo embaralhando meus sentimentos e chegará o momento de organizar as coisas em minha cabeça, de saber o que sinto e o que não sinto, de fazer descobertas.


Há algo me chamando em algum lugar e chegará o momento de ir ver o que há na esquina, de pegar a estrada, de atender ao chamado.


Há algo e chegará o momento.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Em Paraty

Zarpando para mais uma cobertura da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip).

Entre os convidados, gente de grande peso e de livros fantásticos.

Salman Rushdie, autor de Versos Satânicos, uma das obras mais mágicas, divertidas, formalmente inovadoras e corajosas que já li. Literatura em estado puro, em especial a interminável queda de um avião dos dois protagonistas.

Isabel Allende, autora de A Casa dos Espíritos, obra magnífica que demonstra a habilidade narrativa da escritora. Nas gerações de uma família marcada por perdas, tragédias e afetos violentos, um pouco da história do Chile e uma rica amostra da alma humana. Uma das melhores personagens é Clara Clarividente, etérea como um anjo que nasceu por engano.

Terry Eagleton, teórico de palavreado sedutor e ideias contundentes. Seus Teoria da Literatura: Uma Introdução e Depois da Teoria são verdadeiras aulas de pensamento crítico e lúcido. Compartilho com ele a desconfiança acerca de quem acredita que a vida é só prática, sem um pensamento teórico que a baseie.

Até a volta, portanto.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Foi um rio que passou em minha vida

O Araguaia, na altura de Itacaiú, em uma das pontes que ligam Goiás a Mato Grosso



Agora posso dizer: conheço o Araguaia. E digo isso sem um sentimento xenófobo de bairrismo, sem o ranso de um regionalismo exasperado. Digo com o orgulho de quem conheceu um tesouro e uma beleza que não se encontram apenas nos cartões-postais do maior e mais importante rio goiano. Conheço o Araguaia porque tive contato direto com sua gente, com as pessoas que o amam, com quem, de fato, se importa com sua preservação.


A série de reportagens especiais publicadas no jornal O Popular durante 8 dias seguidos, ilustradas com as maravilhosas fotos do colega Renato Conde (autor da imagem que ilustra este post), resgata em quem gosta e em quem acredita em um jornalismo feito na rua, conversando com gente, e não em ambientes refrigerados, o estímulo para continuar. São nessas horas que o jornalismo, de fato, faz sentido e temos de lutar sempre para que ele seja realizado, ainda que as dificuldades sejam muitas e imensas.


Para mim, percorrer 2.500 Km em torno do Araguaia, conversando com o carroceiro que há 42 anos faz pequenas viagens puxando areia, com o balseiro que conduz travessias repetidas mas tão variadas a cada vez que são feitas, com a lavadeira do barranco, com o menino arteiro que pula de ponta nas águas, com o empresário que refloresta as margens, com a família que se muda para a beira do rio, foi uma experiência inesquecível. Sinto-me privilegiado por viver esses momentos de grande aprendizado e enriquecimento pessoal.


No trabalho com a linguagem, a série de reportagens também trouxe o exercício de um jornalismo mais criativo e menos automático. Nos 8 dias do projeto, batizado por mim como Araguaia: O Rio e Seus Afetos, foram publicadas 11 páginas inteiras, com textos e fotos. Em cada uma, duas histórias de amores incondicionais pelo rio: paixão, amizade, companheirismo, saudade, cumplicidade, cuidado. Para cada uma dessas páginas, uma canção brasileira foi eleita para nortear a narrativa.


Ao escrever, ficava ouvindo músicas de Chico Buarque, Tom e Vinicius, Gonzaguinha, Milton Nascimento, Beto Guedes, Flávio Venturini, Ivan Lins. E foi impressionante confirmar como esses caras sabem traduzir os sentimentos. Sentimentos que as pessoas têm por outras pessoas, mas também pelo rio de suas lembranças de infância, pelo companheiro de pescarias, pelo lugar em que tiveram alegrias e tristezas muito intensas.


O objetivo foi mostrar um Araguaia anímico, com personalidade própria, capaz de fazer amigos e despertar paixões. É um rio da identidade dos goianos, mas, acima de tudo, é um rio em que as pessoas vivem, na acepção mais completa do verbo. Eu, como turista ou trabalhando, havia estado em rios que me emocionaram pela grandeza e pelo enorme simbolismo.


Já visitei o Rio São Francisco lá em sua nascente, na Serra da Canastra (MG), e lá em sua parte final, na ponte entre Juazeiro (BA) e Petrolina (PE). Realizando um velho sonho de infância, estive no Rio Negro e o vi encontrar-se com o Solimões, formando o gigante Amazonas. E ainda tive sorte, pois lá estive em uma das maiores cheias de sua história. Já visitei o Rio Tocantins, também grandioso, o Rio Guaíba, em Porto Alegre, que, na verdade, é um braço de mar, e o Rio Capiberibe, dos versos de João Cabral de Melo Neto, no Recife.


Faltava o Araguaia. Um rio que, posso dizer, conheço mais que todos os outros. Um conhecimento que vem de sua gente, de seu povo, de suas emoções.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Em homenagem a Saramago

Imaginação irrefreável


"Um homem foi bater à porta do rei e disse-lhe, Dá-me um barco." Com essa frase – na verdade, duas, com a pontuação saramagueana –, José Saramago começa a narrativa do belíssimo O Conto da Ilha Desconhecida. Uma obra arquetípica da produção detalhada e arrojada de um autor que tinha o dom de dominar a prosa. Na narrativa, o personagem quer viajar, conhecer, se encantar por paragens desconhecidas, tal qual o escritor quando cria, tal qual o leitor quando se deixa seduzir. Mas são tantas as dificuldades desse candidato a viajante... Tal qual o escritor, tal qual o leitor.

É então que começamos a perceber que o mundo é mais que só a realidade. Ele também é sonho, ele é destreza da imaginação, ele pode ser belo até mesmo em seus revezes. E tal qual o escritor que encontra a chave de sua ficção, o personagem se deixa levar pelos elementos que o cercam,; tal qual o leitor que não encontra barreiras para a paixão que encontra na vida alheia a que tem acesso nas páginas que consome vorazmente, o viajante percebe que não há amarras que o prendam, não há convenções que o cerceiem, não há jugos que o submetam. Escrever, ler e viajar são sinônimos de viver. Na obra de Saramago, esses verbos são um só.

Muito se fala de seu livro mais polêmico e não é para menos. O Evangelho Segundo Jesus Cristo foi boicotado em Portugal e vendeu mais de 300 mil exemplares no Brasil. O autor se sentiu devedor de tanto carinho e elegeu a ex-colônia de sua terra natal como "uma segunda casa". As circunstâncias que cercam o romance fazem-no mais famoso, mas eclipsam o que ele tem de melhor. Ele e muitos outros livros de Saramago. Seus livros, em diversos gêneros, trazem gravado o signo da genialidade. As polêmicas são secundárias, frutos de maus leitores.

As parábolas e as metáforas de Saramago não são deste plano, comformem-se os materialistas! Isso está implícito na construção textual ambivalente, na sutileza de sentidos disfarçados, na crítica realizada com elegância e contundência. Ele fez Jesus perder a virgindade em uma noite de amor com Maria Madalena, em que o prazer e não o instinto de reprodução guia os dois amantes. Ele imaginou a morte fazendo greve! Ele falou de um Portugal mítico e verossímil, de gente de hábitos anacrônicos e situações reveladoras de injustiças.

Analisar o capitalismo à luz de um mito platônico, transformar a cegueira em colírio que ajuda a ver melhor a alma humana, tomar um heterônimo de Fernando Pessoa para representar sentimentos tão familiares a todos nós foram algumas das estripulias do escritor. Saramago sabia exatamente a dimensão da literatura, de suas potencialidades, de seus entrechos, de seus descaminhos deliciosamente sinuosos. Tanto sabia que explorava cada desvão, reinventando, relendo, refazendo tudo e todos. Aos que não conhecem essa prática: muito prazer, eis a criação literária!

Sorte nossa que Saramago gostava de escrever e nos deixou 30 obras, além de alguma coisa inédita que possivelmente ainda deve ser publicada. Sua produção é uma piscina em que podemos mergulhar de ponto, pois é profunda. E que delícia é se afogar numa prosa tão inquieta e instigante, tão provocadora e doce, tão destemida e cândida. Magicamente esquizofrênica, sua literatura há muito tempo se transformou em marco. Uma referência inescapável para quem deseja escrever, para quem deseja ler, para quem deseja viajar.


Texto publicado no jornal O Popular de 19 de junho (sábado),
na cobertura da morte do autor português José Saramago

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Leituras e riso



"Quem não saber rir não deve ser levado a sério"


Essa frase é do escritor austríaco Thomas Bernhard (foto), um dos maiores romancistas do século 20. Grande ensinamento. E pensar que essa dica vem de um autor que, à primeira vista, parece um prosador insípido, árido. Ele é um autor difícil. No romance O Náufrago, Bernhard mostra toda a sua perícia em dizer algo muito mais do que está escrito. E é nas entrelinhas que está seu humor, sua visão particular e incompreendida do mundo. Há os lampejos de clareza, como essa frase, mas no geral é necessário saber interpretar seu texto, não se deixar levar pelo que é dito e sim procurar o que se quis dizer.


Cada vez mais estou convencido de que as pessoas deveriam ler mais ficção para entender melhor a realidade. Se as pessoas lessem mais autores como Thomas Bernhard, seriam, com certeza, mais tolerantes, menos encharcadas de ódio e mais partidárias da fantasia. A literatura não quer e não tem a obrigação de resolver nada, mas que ela facilita a reflexão mais serena, ah, isso ela faz. E o humor, mesmo em enredos em que prosperam a desesperança e a descrença, está lá, talvez até melhor do que em manifestações mais explícitas.


Thomas Bernhard é apenas um dos muitos e muitos autores que nos dão ensinamentos nesse sentido. Como ele há José Saramago, Thomas Mann, António Lobo Antunes, Mario Vargas Llosa, Alan Pauls, William Faulkner. Lendo esses caras, fica mais fácil rir. Mesmo porque fica difícil rir ou chorar se não se entende o que é lido, o que é dito, o que é mostrado.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Foto-Clipe

Um Amor Assim Delicado


Você Pega e Despreza

Não o Devia Ter Despertado



Ajoelha e Não Reza


Dessa Coisa que Mete Medo



Pela Sua Grandeza



Não Sou o Único Culpado



Disso Eu Tenho a Certeza