quarta-feira, 9 de março de 2011

Homenagem a Moacyr Scliar


Esta crônica foi publicada no jornal O Popular no dia 2 de março e gerou tanta repercussão entre os leitores que decidi postá-la aqui, como uma pequena homenagem a um dos grandes autores brasileiros das últimas décadas.



Moacyr!!!!!

Meu primeiro contato com Moacyr Scliar foi assim, no grito! Era fevereiro de 2004 e ele, pouco tempo antes, havia tomado posse na cadeira nº 31 na Academia Brasileira de Letras. Estávamos no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Eu esperava um voo para Goiânia e ele resolvia algum problema no guichê da TAM. Quando o vi, estava de costas e não tive certeza se era de fato quem eu pensava. O aeroporto, para variar, estava cheio e tumultuado. Só tive a confirmação alguns minutos depois, quando o vi entrar na fila de embarque para um voo que ia para Porto Alegre.
Sim, era Moacyr Scliar. Não tenho muitas fotos com celebridades, apesar de já ter entrevistado várias delas, mas, como alguém que cobre literatura, não perco a oportunidade de pegar um autógrafo dos autores que li e admiro. Moacyr era um deles. E ele estava ali, no saguão, dando a maior sopa. Não ia perder a chance. Corri até a livraria do aeroporto e comprei, às pressas, um exemplar de Melhores Contos de Moacyr Scliar. O problema é que antes da reforma do aeroporto paulista, a livraria ficava inconvenientemente distante da ala de embarque da TAM. E lá fui eu, correndo entre malas e passageiros, a tempo de pedir a assinatura de Moacyr Scliar antes do embarque.
Foi aos 45 do segundo tempo, mas foi. Quando o vi, ele já estava entregando seu bilhete de embarque para a funcionária da Infraero. Em um segundo, ele sumiria de minhas vistas. Eu estava a uns 20 metros de distância. Não tive dúvidas: Moacyr!!! O grito ecoou pelo saguão do aeroporto e muita gente se assustou, inclusive o escritor. Ele voltou, com ar espantado, como a perguntar o que era aquilo. E o que viu foi um sujeito ofegante se aproximando com um livro seu na mão: “Me dê um autógrafo, por favor.” Ele riu, brincou com o susto que havia levado e escreveu: “Para Rogério, leitor alado, o abraço de Moacyr Scliar. Congonhas, fev. 04.”
A partir daquele dia, eu falaria com Moacyr Scliar várias outras vezes, geralmente por telefone. Quando precisava de uma opinião sua para determinada matéria, ligava em sua casa e ele me atendia. Nunca deixou de ser solícito, atencioso. Fiz isso na reportagem sobre o centenário de Erico Verissimo, conterrâneo e mestre de Scliar; na matéria a respeito dos novos autores gaúchos; na enquete com escritores sobre o gênero romance.
Fiz ainda uma entrevista sobre o projeto Vozes do Golpe, quatro livros com relatos da ditadura militar que ele escreveu ao lado dos amigos Carlos Heitor Cony, Luis Fernando Verissimo e Zuenir Ventura. Para falar das obras, os quatro vieram a Goiânia em 2005, na 1ª Bienal do Livro de Goiás, e Moacyr tinha um presente para mim: um exemplar de Mistérios de Porto Alegre, devidamente dedicado.
Na conversa que tive com os quatro pouco antes do evento, Moacyr autografou outro livro dele, o Contos Reunidos, e escreveu algo inesquecível para mim: “Para o Rogério, homenagem a seu talento e sua cultura, com abraço do Moacyr Scliar. Abr. 05.” Em 2007, voltaria a me encontrar com ele por acaso, no Aeroporto de Cumbica, e nós fomos jogando conversa fora de Guarulhos até a Avenida Paulista, onde desceríamos com compromissos diferentes.
Moacyr morreu no domingo, deixando esse tipo de lembrança. Ele foi um homem cativante, polido, alegre. Na já citada vinda a Goiânia, ao lado dos amigos escritores, esbanjou bom humor, simpatia, fez ótimas tiradas para deleite do público. Sei que é pouco, Moacyr, mas esta crônica é uma singela homenagem a seu talento e sua cultura.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Explicação

Em cumprimento a acordo judicial firmado com a Procuradoria do Estado do Amapá


No dia 7 de abril de 2010, publiquei um texto com o título Amapá, Uma Abstração, em que, por meio de uma crônica – que mistura realidade e ficção –, brinquei com a real existência do Estado do Amapá. Esse texto ganhou ampla repercussão no Amapá, sendo reproduzido em redes sociais e pela imprensa local, e causou indignação a muitos habitantes do Estado, que se sentiram ofendidos. Isso motivou a Procuradoria do Estado do Amapá a ingressar com uma ação cível alegando que o texto feria os direitos difusos da unidade federativa. Antes que o processo fosse analisado ainda em primeira instância, as partes firmaram acordo judicial e a publicação do presente texto neste blog é parte integrante dessa conciliação.

A crônica buscou dar uma visão de bom humor a temas da atualidade recorrendo para isso, porém, à fantasia. Para isso, fiz alusões ao Amapá que não imaginei que seriam ofensivas. Recebi diversas mensagens que mostraram o contrário, ainda que essa não tenha sido, em momento algum, a intenção do texto. Peço, novamente, desculpas a quem se sentiu ofendido por minhas palavras. As críticas não eram contra o Amapá e seu povo e sim contra mazelas que atingem todo o País.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Dia de Reis

Na postagem anterior, disse que estava em inferno astral.
Pois é, passou!

Esse Dia de Reis foi muito melhor do que eu esperava.
Muitos, mas muitos amigos mesmo se manifestaram, me abraçaram, me deram mostras de carinho, afeto e consideração. Quero agradecer a todos eles!

É muito bom quando sabemos que há tanta gente inteligente, elegante, de bem com a vida, com conteúdo e generosa que gosta de você. Recebi mensagens e telefonemas de mais de uma centena de amigos de trabalho, de colegas de profissão, de ex-alunos, de leitores fieis.

Vieram telefonemas e mensagens da Bahia, da Paraíba, do Rio de Janeiro, do Paraná, de Brasília, dos Estados Unidos, de Cabo Verde, da Europa. De todo esse mundo velho de meu Deus por onde pessoas queridas estão espalhadas. Muito obrigado por tudo.

Houve até quem quisesse usar esse espaço para me mandar uma "carinhosa" mensagem de rancor, falta de civilidade e pouca educação. Quero agradecer a esses também porque eles me dão um bom padrão de avaliação do quanto meus amigos são bons, melhores ainda do que eu pensava quando comparados com gente tão miúda. Obrigado por existirem!

Desejo um 2011 cheio de realizações, saúde e paz a todos os leitores deste blog. Sem exceções!

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Dias



É inferno astral? Muitos dizem que sim. Nos dias que antecedem nosso aniversário, problemas se sucedem, você tem surpresas desagradáveis, passa algumas raivas. Quero aqui testemunhar que tudo isso é a mais absoluta e cientificamente provada realidade. O inferno astral existe! No meu caso, ele se anuncia com pequenos sinais infalíveis.


- O olho esquerdo treme


- Aumentam os pesadelos noturnos


- Me dá uma vontade de dormir cedo


- Os problemas se mostram maiores do que são de fato


- A paciência fica curta


- Minhas crises alérgicas ficam mais frequentes


- Mágoas latentes afloram


- Tenho dias de desabafo e falo o que não devo


- Resolvo que não vou levar desaforo pra casa e falo o que devo e o que não devo


- Perco o pouco de diplomacia e altivez de espírito que tenho


- Começo a alimentar desconfianças, embasadas e inventadas


- Escrevo bobagens no blog...


Sim, estou na plenitude de meu inferno astral!

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

O que 2010 deixou

Nas últimas horas deste ano que termina, o balanço não é negativo, de forma alguma. 2010 foi um ano muito, muito intenso, de emoções fortes e um grande aprendizado. Talvez tenha sido um dos anos em que tive maior crescimento pessoal e só por isso todos os perrengues e incertezas valeram a pena ser vividos. Um ano inesquecível.

- Comprei meu primeiro carro zerinho, zerinho. Aquele cheirinho inconfundível não tem preço. Quer dizer, tem preço e ele é meio alto. E fica maior ainda com emplacamento, seguro. Mas êta dinheiro bem gasto. É bom demais se dar um bom presente.

- Reforcei amizades muito queridas. Os que já estavam próximos ficaram ainda mais perto. Os que pareciam longe deram demonstrações inequívocas de afeto. Os que já haviam se mostrado distantes outras vezes tiveram gestos generosos e comoventes. Foi bem bacana isso.

- Conheci o ódio, a incompreensão, a covardia que o anonimato e a leviandade costumam alimentar. Já havia tido contato com esse tipo de sentimento muitas vezes gratuito, mas não na dimensão que ocorreu em 2010. O bom é que junto veio a solidariedade, o ombro amigo, a confiança em meu trabalho e isso foi gratificante. No saldo, ficou o que recebi de bom.

- Pela primeira vez, fui ameaçado de morte e processado. E pela primeira vez, soube que tinha motivos para processar muitos agressores. Experiências paras as quais pedi serenidade e termino 2010 com a tranquilidade de quem conseguiu encarar as situações da melhor forma possível. Não pensei que teria maturidade para isso, mas não é que eu tive?

- Pela primeira vez, ganhei um prêmio importante de jornalismo por um trabalho que me deu muito, muito prazer em fazer. As reportagens sobre o Rio Araguaia atenderam às minhas melhores expectativas. Fiquei muito feliz de encontrar as pessoas que encontrei e contar suas histórias da forma como contei. O jornal em que trabalho me deu liberdade e condições para realizar o melhor, confiou no meu trabalho e o resultado foi inesquecível para mim. É tão bom fazer reportagem!

- Em 2010, realizei o sonho de minha mãe de conhecer o Rio de Janeiro e me senti muito bem em poder proporcionar isso a ela, ver seus olhos brilharem aos pés do Cristo Redentor, relaxar no alto do Pão de Açúcar, rir enquanto corria da chuva no Jardim Botânico, me cutucar num shopping do Leblon perguntando se aquele ali era "aquele ator". "Sim, mãe, é ele sim."

- Em 2010, curti férias com amigos maravilhosos. Em Búzios, com Leandro e Luciana, meus afilhados de casamento. Ele, um irmão que escolhi quando tinha apenas 4 anos. Na Argentina e Uruguai, com Rossana e Renata, arriscando um portunhol fajuto, comendo desbragadamente, visitando livrarias maravilhosas, conhecendo gente e lugares para lá de interessantes.

- Em 2010 deu até para curtir um pouquinho a vida. Beijar na boca é bom, né?

Listei aqui as coisas boas deste ano que termina. Houve muitas tristezas também, claro. Elas sempre aparecem. Mas para que falar das perdas, das lágrimas, dos sentimentos menos nobres? Que 2011 venha incensado por aquilo que vale a pena.

Um Feliz Ano Novo a todos os leitores deste blog!

sábado, 11 de dezembro de 2010

A vida é um mistério

Nesse plantão de sábado à tarde em que estou, pensei...

- Que 2011 pode ser um ano decisivo.

- Que o texto jornalístico nunca deixa de ser escorregadio.

- Que, de fato, há pessoas boas e pessoas más. Onde me insiro?

- Que tenho muitos sentimentos que não são nobres.

- Que a intolerância ronda o mundo.

- Que a incompreensão domina muita gente.

- Que rir com os amigos é muito bom.

- Que ficar triste é muito fácil.

- Que sentir saudade é incontrolável.

- Que uma criança de 10 anos pode ser mais forte, muito mais forte que você.

- Que existe amor incondicional.

- Que pensar na vida é também pensar na morte.

- Que escrever é uma arte e que você percebe isso com os textos alheios.

- Que bolo de fubá e rosca são uma delícia.

- Que o café da Zezé também é uma delícia.

- Que o sanduíche do McDonalds não é uma delícia.

- Que a solidão pode ser necessária e muito cruel.

- Que é preciso ter muita paciência e serenidade para se fazer uma tese.

- Que amo jornalismo e que esse amor é meio bandido, ingrato.

- Que você pode receber um alfajor de presente e ficar feliz com isso.

- Que é preciso respeitar as pessoas, mas que certos indivíduos não merecem respeito algum.

- Que é fácil gritar e provocar.

- Que tenho muitos livros a ler.

- Que ler Kafka é necessário.

- Que quero viajar.

- Que quero estar com quem amo.

- Que tenho muito medo de muita coisa.

- Que voltei a gostar de café.

- Que nunca deixarei de gostar de Coca Cola.

- Que emagreci e não quero voltar a engordar.

- Que já me apaixonei muito e que isso, de qualquer maneira, é bom.

- Que a vida é um mistério.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Os livros que ainda não li

Aqui do lado sempre coloco uma listinha dos livros que acabei de ler.

Pois aqui vai uma lista de 10 obras que ainda não li, mas que adoraria poder ler um dia.

- Notas do Subterrâneo (Dostoiévski)
- Educação Sentimental (Flaubert)
- A Montanha Mágica (Thomas Mann)
- Mrs Dalloway (Virginia Woolf)
- Travessuras da Menina Má (Mario Vargas Llosa)
- Retrato em Sépia (Isabel Allende)
- Dubliners (James Joyce)
- Memorial de Maria Moura (Rachel de Queiroz)
- Corpo de Baile (Guimarães Rosa)
- A Caverna (José Saramago)